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Dia do Folclore

Logo que cheguei do Rio, as aulas retornaram e eu marquei uma reunião com as professoras, coordenadoras e direção da escola que Pedrinho estuda.  A direção não estava presente por motivos pessoais. Mas a reunião fluiu bem, entreguei a elas o laudo da médica e todo o material que a dra. Carla havia me passado para ser estudado. A escola nunca havia recebido uma criança com sintomas de autismo e deixou claro que não sabia lidar com a situação, mas iriam correr atrás, estudar, pesquisar e aprender a lidar com Pedrinho da melhor maneira possível.

Uns 15 dias após essa conversa, aconteceria na escola a culminâcia do Projeto: Folclore. Todo ano, a escola monta um espetáculo, no qual todas as turmas apresentam uma dança típica do folclore sergipano. 3 dias antes deste espetáculo, quando fui pegar Pedrinho na sala, a Professora me chamou e me disse que ele não queria dançar, então ela faria assim, ele entraria no cortejo e antes de subir no palco ele seria entregue a mim. De jeito nenhum, fui atrás das explicações da coordenadora, mas ela estava ocupada e não pôde me atender. Fui pra casa. De tarde, outra coordenadora me ligou pra marcarmos uma reunião pro dia seguinte com a direção, já que elas não puderam participar do nosso primeiro encontro. Ok, tá marcado. No dia seguinte, e e meu marido fomos ouvir as explicações delas. A diretora, uma senhora que adimiro muito começou a falar sobre o dia do folclore, que Pedrinho não queria dançar, que ela tinha acompanhado o ensaio do dia anterior e ele se recusava a subir no palco. Ela explicou que nos ensaios anteriores ele dançava acompanhado da babá  e  eram feitos no pátio, porém no dia anterior ele não quis subir no palco que foi armado na quadra da escola. Interrompi. Perguntei : - Vcs explicaram e ela que o ensaio de ontem seria feito em outro lugar? Não. Comecei a falar uma coisa que já tinha deixado bastante claro anteriormente. Com Pedro, é fundamental trabalhar com a antecipação. A mudança de rotina o incomoda demais. Temos que explicar tudo antecipadamente. Então eu disse a elas assim, pegue ele, converse, explique que hoje nós vamos dançar em local diferente, deixe a babá levar ele lá antes de todo mundo, deixe ele se ambientar, e tenho certeza que ele vai subir. Ela  ainda quis ainda argumentar que não podemos exigir mais do que ele pode dar. Olha, ano passado ele participou de todos os eventos na escola e ninguém sabia o que ele tinha. Meu marido perguntou logo: - Na primeira oportunidade vcs excluem em vez de incluir??? Como assim???
- Naaaaao, não é isso. Nós só estamos querendo dizer que caso ele chore e não queira subir, vcs não se assustem e não obriguem ele a subir.

Meu marido com todo o seu poder de sintetizar as coisas disse mais uma vez: -Ok, obrigado. Mas já vi que vcs vão ter muito trabalho em chamar os pais de todos os alunos, afinal de contas, qualquer um pode não querer subir na hora não é verdade? Até o aluno mais desinibido pode não querer subir!

Todos se entreolharam.

Mas é óbvio, se na hora ele não quiser, ele não sobe, Mas não antes de tentar. Meu filho tem o direito de participar de tudo, se quiser! E eu tenho o dever de proporcionar a ele a participação nestes eventos, ele tem que ter a oportunidade de interagir. Mas o que soou pra nós foi que elas não queriam que o xilique de uma criança autista estragasse a festa e estavam tentando nos fazer desistir. Muito pelo contrário, disse a elas o que teriam que fazer com ele e garanti que ele subiria no palco. Afinal, eu sou a pessoa que mais sabe lidar com meu filho.

E assim aconteceu, no dia ele chegou alegre da vida, brincou, correu todo fantasiado de Caboclinho, só chorou na hora que tive que deixá-lo na sala com a professora. Chorou mesmo e muito, mas isso é dengo, tanto é que logo passou.

Quando ele passou no cortejo de peruca e tudo ele me matou de orgulho. Eu sabia! Ele subiu, dançou segurando na mão da babá da sala dele e depois correu pros meus braços. Pedro curtiu o momento, ficou até o final do espetáculo, assistiu todas as dancinhas, brincou com seu melhor amigo, Arthur, de invadir a passarela. E foi pra casa. Contrariando assim, quem pensou o contrário!

                Pedrinho vestido de caboclinho, só faltou a peruca!

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